segunda-feira, 16 de março de 2015

Acidente Vascular Cerebral (AVC)

   Há dois tipos de AVE/AVC principais: O isquêmico, provocado pelo bloqueio de um vaso sanguíneo ou artéria, fazendo com que o sangue não atinja partes do cérebro, levando à morte do tecido cerebral; O hemorrágico, provocado pela ruptura de um vaso sanguíneo, levando ao derrame de sangue para dentro do cérebro ou para o redor formando um coágulo.

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   Dentre os sintomas de um AVE/AVC, os mais comuns são: Fraqueza ou dificuldade em movimentar um membro; Dormência de um dos lados do corpo; Fala e linguagem alteradas; Perda total ou parcial da visão; Dor de cabeça sem causa; Perda de memória.
 
   Para tratar um paciente que teve AVE/AVC é necessário acompanhamento pelo fisioterapeuta e fonoaudiólogo. O profissional de fisioterapia vai trabalhar com as funções motoras, ajudando o paciente a recuperar gradativamente os movimentos dos membros, diminuindo as sequelas. O profissional de fonoaudiologia trabalhará com as funções de afasia que prejudica a fala e a Linguagem. O tratamento será adaptado de acordo com as necessidades e limitações do paciente e iniciado logo após o acidente vascular encefálico. Alguns exercícios desenvolvidos são de prática de leitura e escrita de palavras-chave ou frase, ensaio de comunicação verbal ou não-verbal e de comunicação social.

Fonte:www.centraldafonoaudiologia.com.br

quinta-feira, 12 de março de 2015

Dedo, chupeta e os problemas para os dentes das crianças

Com a chegada dos primeiros dentes, o ideal é que a criança pare de chupar o dedo ou a chupeta

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Na fase dos dentes de leite, uma das preocupações dos odontopediatras e dos pais é o hábito de usar chupeta ou chupar o dedo. Esses hábitos correspondem a um instinto natural dos bebês, o da sucção, e, principalmente para os que não mamam no peito, são uma espécie de mal necessário – o bebê precisa mesmo sugar e não se deve privá-lo disso.
Porém, os movimentos de sucção realizados para chupar o dedo ou a chupeta estão longe de ser os ideais para a dentição do bebê. Diferentemente dos movimentos para sugar o peito, não favorecem de forma correta o desenvolvimento da musculatura e dos ossos faciais, prejudicando assim a deglutição, a mastigação e a fala. A freqüência, a intensidade e a duração desses hábitos podem determinar problemas ortodônticos nos dentes permanentes.
É mais fácil controlar esses três fatores (freqüência, intensidade e duração) com a chupeta do que com o dedo. A primeira pode ser retirada em momentos estratégicos (assim que o bebê adormece, por exemplo) e o dedo está, literalmente, "sempre à mão". É mais fácil, também, tirar a chupeta na época necessária – sendo o ideal até os 2 anos, segundo os dentistas. Mas eles também acreditam que, se o hábito for removido até os 3 ou 4 anos, eventuais problemas ortodônticos podem ser revertidos.
O que o hábito pode causar
    - Deixar a arcada muito estreita ou muito aberta.
    - Favorecer a mordida cruzada.
    - Empurrar os incisivos superiores para frente.
    - Prejudicar o formato do palato (céu da boca).

    Como minimizar esses efeitos

    - Use chupetas ortodônticas.
    - Não ofereça a chupeta a todo momento nem ao menor sinal de choro do bebê.
    - Não deixe a chupeta pendurada na roupa ou em correntinhas, sempre à disposição.
    - Assim que a criança adormecer, retire a chupeta.
    - Se o bebê chupa o dedo, tente substituir pela chupeta ortodôntica.
    - Quando a criança estiver com o dedo na boca, atraia sua atenção para atividades que ocupem as mãozinhas.
     
    Fonte: Revista Crescer

segunda-feira, 9 de março de 2015

Alteração de processamento auditivo: dificuldades no desenvolvimento de linguagem

   Os transtornos do processamento auditivo ocorrem devido a uma alteração ou inabilidade na recepção, análise e processamento da informação auditiva. Podem afetar a compreensão de fala, o desenvolvimento das habilidades lingüísticas, a percepção dos sons de fala e conseqüentemente o aprendizado de maneira eficiente.
 
   Trata-se de uma dificuldade para entender, discriminar, memorizar e compreender a fala, quando a audição periférica e outras funções cognitivas possuem sua funcionalidade preservadas. Em alguns casos podem ocorrer outras alterações associadas.
 
   As alterações do processamento auditivo são conseqüência da dificuldade do sistema auditivo na recepção, análise e processamento da informação sonora. Podem afetar a compreensão de fala, o desenvolvimento das habilidades lingüísticas e a capacidade de percepção dos sons, prejudicando desta forma o aprendizado escolar.
 
   O diagnóstico só é possível por meio da realização de uma bateria de testes audiológicos, no qual serão verificadas algumas habilidades específicas da função auditiva. A bateria inclui a avaliação audiológica, testes específicos e algumas avaliações eletrofisiológicas que poderão auxiliar neste diagnóstico.
 
   Esta alteração pode ocorrer tanto em adultos como crianças.
 
   A avaliação do processamento auditivo requer a competência mínima da habilidade lingüística da criança para aplicação das provas. Além disso, a maturidade do sistema auditivo e neural é importante. Geralmente é possível a avaliação dessas habilidades na fase em que a criança inicia o processo de alfabetização.
 
   As dificuldades de processamento auditivo podem ocorrer devido a diversos fatores. É difícil afirmar o que determina, geralmente não há um único fator associado. Algumas alterações, como transtornos do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), dificuldades no processo de alfabetização, síndromes ou alterações no desenvolvimento podem estar associadas aos problemas de processamento auditivo.
 
   Alterações de processamento caracterizam-se pela dificuldade de compreensão da informação auditiva. Na presença de ruído essa dificuldade é muito maior. Geralmente é a criança com dificuldades para manter a atenção durante explicações verbais, entender a fala em ambientes ruidosos, dificuldades na memorização de frases e nomes, atrasos no desenvolvimento de linguagem, diminuição na motivação para aprendizagem e dificuldades de relacionamento.
 
   A maioria das crianças que possui os sintomas característicos da alteração de processamento apresenta limiares auditivos dentro do padrão de normalidade, ou seja, a sensibilidade auditiva está preservada. É possível a detecção desta alteração por meio da avaliação específica.
 
   A criança com alteração do processamento é aquela que escuta a informação, mas não consegue entendê-la. Na presença de ruído de fundo e quando o interlocutor está distante todas essas dificuldades aumentam. Terapia fonoaudiológica, apoio e trabalho psicopedagógico são importantes.

Fonte:
www.programainfantilphonak.com.br

quinta-feira, 5 de março de 2015

Disfonia Infantil

   A voz é uma produção sonora emocional, expressa nossos sentimentos, nossos anseios, nossas emoções, revela saúde e outras características. É uma das extensões mais fortes da nossa personalidade.
 
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   Pais, educadores, pediatras, dão pouca importância às alterações vocais na infância, o que faz com que a incidência da DISFONIA (Distúrbios Vocais) na população pediátrica seja ainda controversa na literatura. As alterações da fala chamam mais a atenção e é uma preocupação de todos, enquanto as alterações na Voz não representam preocupação, mas deveria, pois ela pode interferir no comportamento social e emocional.
 
   Estudos epidemiológicos realizados em escolas, referem uma incidência entre 6 e 23%, dependendo da localização da escola, aspectos variados e de uma série enorme de considerações metodológicas. Constata-se que 70% das crianças que são roucas, apresentam nódulo vocal, o pico de incidência ocorre em 5 e 10 anos de idade, sem diferença quanto ao sexo, embora se observe uma maior tendência no sexo masculino, provavelmente pela exigência social de um comportamento mais agressivo nesse sexo.
 
   Os fatores causais são diversos, podemos citar hábitos inadequados, fatores ambientais, físicos e psicológicos, estrutura de personalidade, inadaptação fônica e fatores alérgicos, entre outros.
 
   A DISFONIA INFANTIL tem se constituído em um desafio para médicos e fonoaudiólogos, tanto no que se refere ao diagnóstico quanto ao processo terapêutico. As pesquisas que tem por objetivo o conhecimento da produção da voz normal e os avanços tecnológicos, que resultaram na utilização de fibras óticas para a visualização da laringe infantil, tem permitido compreender de forma mais plena, tanto a anatomia como a fisiologia desse órgão infantil, que sabidamente não se constitui em uma “laringe adulta” em miniatura.
 
   Esses exames têm permitido precisar o diagnóstico e planejar um atendimento á criança com alteração vocal. É importante não só se preocupar com a criança que apresente dificuldades para falar, mas também com as crianças que apresentem um quadro de DISFONIA.
 
   É necessário conhecer, estar atento, é preciso diante de sintomas como uma rouquidão mais freqüente, “veias” saltadas do pescoço, esforço vocal, que todos aqueles que tem contato mais próximo com a criança, a encaminhe ao médico otorrinolaringologista ou procure o fonoaudiólogo, que são os profissionais aptos a conduzirem orientações e o tratamento adequado dos distúrbios vocais.
 
   Diante disso, o autoconhecimento vocal ganha importância, assim como adquirir comportamentos que levem ao uso correto e a preservação da voz pela criança. A VOZ é um meio essencial de comunicação e um Instrumento precioso de trabalho, portanto merece uma atenção e carinhos especiais.
 

segunda-feira, 2 de março de 2015

Descubra como evitar problemas auditivos em qualquer fase da vida

Em qualquer lugar do mundo, o resultado da equação é sempre o mesmo: jovem + música = som ao máximo. Isso não é nenhuma novidade, pois há décadas o principal desentendimento dentro de uma casa com adolescentes é o alto volume que sai das caixas de som. Até que, para descanso dos pais, surgiu o fone de ouvido. Assim, a tecnologia trouxe os tão desejados decibéis a mais, só que, de carona com quem abusa do volume por um longo período, veio a perda de audição. Uma pesquisa feita pela Universidade do Colorado e pelo Children’s Hospital, nos EUA, mostrou que o limite seguro para quem quer ouvir música o dia inteiro é não passar de 50% da capacidade dos aparelhos. Para aqueles que gostam de som alto e não querem ter problemas, é possível subir a 70% do volume máximo por apenas quatro horas e meia ao dia. Um aumento para 80% do total reduz o prazer em ouvir músicas há somente 90 minutos diários para não causar danos à saúde.
 
 
Fones: usar ou não?
Outro estudo norte-americano, desta vez feito pela Universidade Northwestern, aponta para outro vilão: os fones de ouvido. Os pesquisadores chegaram à conclusão de que os mais nocivos são aqueles que se encaixam dentro do ouvido (apenas como curiosidade, na nova terminologia anatômica, “ouvido” foi substituído por “orelha”). Tudo porque a posição interna aumenta a intensidade final do som em até 9 decibéis, além de causar infecções com o uso de fones compartilhados ou sujos. Segundo os especialistas, a melhor maneira de controlar o volume ideal é poder ouvir alguém conversando mesmo com o aparelho ligado. O otorrinolaringologista Luciano Rodrigues Neves, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), explica que “o ouvido não escuta nada, quem escuta é o cérebro. O ouvido recebe e transforma as ondas mecânicas do som em impulsos elétricos, que são enviados ao cérebro. Se o som estiver muito alto, o cérebro dá uma modulada e a pessoa se acostuma e se adapta a isso. Agora o impacto da onda sonora no ouvido interno pode variar de intensidade e, dependendo do tempo de exposição, causar problemas a longo prazo”
 
Quem são os vilões?
Mais de 5 milhões de adolescentes norte-americanos já apresentam algum grau de perda auditiva, sendo que 250 mil têm danos definitivos, segundo informações do Journal of Pediatrics. A principal causa é o uso inadequado de MP3 e a freqüência assídua a shows de rock. Na França, por exemplo, os MP3 podem atingir o máximo de 100 decibéis e o governo ainda recomenda o tempo de exposição às ondas sonoras.
 
Tudo isso porque o abuso já deixou um em cada quatro jovens franceses com o distúrbio. No Brasil, não existe uma pesquisa específica sobre esses tocadores de música, mas há determinações do Ministério da Saúde sobre o ruído no trabalho, que, se adaptarmos ao nosso dia-a-dia, podem acrescentar uns bons anos de audição perfeita. O censo de 2000 feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) contabilizou quase 6 milhões de pessoas que se declararam deficientes auditivos. Se levarmos em conta a informação da Organização Mundial da Saúde (OMS) de que a exposição ao ruído é a segunda causa de surdez no mundo, pode-se ter uma noção do número de pessoas afetadas pela poluição sonora. Para quem ainda não acredita nos efeitos nocivos de ondas sonoras intensas e frequentes, é só procurar exemplos na própria música. Alguns famosos são Eric Clapton, Phil Collins e o brasileiro Rogério Flausino, vocalista do Jota Quest. No DVD Até onde vai da banda mineira, foi inserido um documentário sobre a descoberta do problema. Flausino, depois dos shows, sentia muita dor de cabeça e ficava completamente surdo. Ao procurar ajuda médica, foi constatado que perdeu, em dez anos de trabalho, 30% da audição no ouvido direito pelo uso constante de earphone, aqueles aparelhinhos, também chamados de retorno, que os músicos usam para controlar o som que o público está ouvindo.
 
Por que cuidar agora
“O ouvido é semelhante a uma caderneta de poupança: quanto mais você poupar enquanto é jovem, melhores serão as chances de prolongar uma boa audição”, diz o especialista da Unifesp. A perda da audição é longa e silenciosa, e só vamos descobrir o problema no futuro. Depois de 20 ou 30 anos, são colhidos os resultados de todas as extravagâncias que cometemos durante anos. O otorrino também esclarece que a presbiacusia (diminuição da audição por envelhecimento) “começa a partir dos 50 ou 60 anos de vida. O que os médicos estão percebendo é que, em função da poluição sonora, as pessoas estão tendo perdas auditivas significativas numa idade bem precoce, com 30 ou 35 anos”. Por isso é tão importante prevenir o problema o quanto antes. E essa é mais uma tarefa difícil para pais zelosos com a saúde de seus filhos. Uma conversa franca, mostrando tudo o que pode acontecer no futuro, é um bom começo. Se eles não atenderem ao chamado da razão, então vale optar por medidas mais drásticas, como comprar aparelhos com softwares que permitem, por meio de um código ou senha, a regulagem da intensidade do som dentro do limite saudável.
 

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Meu filho precisa de fono?

Toda criança precisa ir ao fonoaudiólogo? Não. A consulta deve ser marcada se o seu filho apresentar alguma alteração ou atraso na fala que não seja esperado para a faixa etária dele. E não existem dados nacionais, mas estima-se que 5% das crianças vão ter algum tipo de dificuldade. O alerta de que haja um problema, em geral, vem do pediatra ou da escola. “Mas sempre que os pais suspeitarem de alterações devem procurar orientação do médico que acompanha a criança. E, em todas as consultas, o progresso da linguagem é avaliado”, afirma Sylvio Renan Monteiro de Barros, pediatra clínico e membro da Sociedade Brasileira de Pediatria. Uma pesquisa norte-americana, feita com 88 crianças durante 20 anos, comparou esse processo de aquisição da linguagem a um passeio de montanha-russa: até chegar a fluência, elas vão adotando e abandonando padrões de fala, como trocar fonemas (o nome que se dá ao som das letras) e omitir sons.
 
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Quais são os problemas de fala mais comuns e quando aparecem? O primeiro que pode surgir é o atraso no início da fala, que é percebido quando a criança articula pouco ou quase nada aos 2 anos, idade em que deveria conseguir se comunicar com frases simples, como “me dá.” Se isso não acontece, é preciso marcar uma consulta com o fonoaudiólogo. Aos 3, acontecem as trocas de fonemas, mas isso não é necessariamente um problema. Vai depender da substituição que ele faz e da etapa em que isso acontece. Por exemplo, nessa idade é comum a criança “comer” o R (em vez de falar preto, dizer “peto”), e nem por isso é preciso procurar um especialista. De 2 a 4 anos, seu filho pode começar a repetir as palavras ou as sílabas, caso conhecido, na linguagem médica, de disfluência fisiológica. Diferentemente da gagueira (um distúrbio neurobiológico, que tem início por volta dos 5 anos e que exige tratamento especializado), essa disfluência dura cerca de seis a dez semanas e acontece porque os pensamentos da criança são mais rápidos do que a capacidade de falar, causando a repetição. E você pode ajudar. Ouça seu filho com calma e paciência, sem chamar a atenção para esse comportamento ou pedir para ele falar mais devagar – isso só vai fazê-lo se sentir inadequado. Lembre-se de que até os 5, a criança deve falar todos os sons corretamente – essa regra não vale para prematuros que, em geral, têm mais chances de sofrer atrasos no desenvolvimento. Se perceber algo diferente, procure um especialista.
 
Que outros fatores podem prejudicar o desenvolvimento da fala?
Problemas auditivos, neurológicos ou respiratórios, e até fatores ambientais, como falta de estímulo. Desses, os de audição são os mais comuns. “A criança que ouve pouco, balbucia pouco. Ou seja, vai ter dificuldade para aprender a falar”, diz Ignês Maia Ribeiro, diretora educacional do Instituto Brasileiro de Fluência (SP). Por isso é importante que o recém-nascido faça o teste de triagem auditiva (teste da orelhinha), gratuito e obrigatório desde 2010. Ele é realizado ainda na maternidade e avalia se o bebê tem alguma dificuldade para ouvir. Já as crianças com deficiência neurológica (inclusive as portadoras de síndromes, como a de Down) precisam de atenção especial: a maioria vai ter atraso no desenvolvimento da linguagem. Outro fator importante é a respiração. As que possuem problemas crônicos, como rinite alérgica, têm mais chances de apresentar alterações na fala pois respiram pela boca. “Isso afeta todo o processo de postura da língua e posicionamento dos dentes, o que colabora para as alterações aparecerem”, afirma Cássia Telles, fonoaudióloga do Hospital Pequeno Príncipe (PR).
 
Uma vez que a dificuldade foi constatada, devo ir logo ao especialista?
Sim. É importante que o fonoaudiólogo faça uma avaliação rapidamente. Mas diagnosticar o problema, em alguns casos, não significa que o tratamento vai ser iniciado naquele momento. “Quando a criança vai para a escola, é exposta ao ambiente social e percebe que sua fala está errada. Muitas vezes, essa é a hora mais adequada de interferir, pois ela fica consciente do problema e disposta a mudar o quanto antes”, diz Cássia. Ainda assim, vale dizer que somente um especialista saberá a hora certa de começar o tratamento.
 
E o desempenho escolar, como fica? A principal preocupação é com a escrita. Seu filho só vai aprender a escrever direito se conseguir discriminar os sons corretamente – se tem dificuldade de articular o R e o L, vai transferir isso para o papel, por exemplo. Uma fala com problemas também prejudica a comunicação com outras crianças e dificulta a interação social.
 
Falar errado pode ser uma maneira de chamar a atenção?
Sim. Isso pode ser reflexo de uma situação que a criança está com dificuldade para lidar, como a chegada de um irmão. Se o fonoaudiólogo identificar que a questão é comportamental, pode, por exemplo, dar orientações do que fazer no dia a dia, como não reforçar ou corrigir o erro. Ele também pode indicar uma consulta com um psicólogo.
 
Como é o tratamento para os problemas de fala?
Primeiro você vai precisar encontrar um fonoaudiólogo (e, pasme, existe um tipo de especialista para cada dificuldade da fala). A terapia, em geral, acontece duas vezes por semana. Nas primeiras sessões, os pais entram junto com a criança para ela ter mais segurança. De qualquer maneira, é importante a sua participação, porque os exercícios feitos com o especialista e as orientações devem ser repetidas em casa. Dependendo do caso, é possível que a criança só vá ao especialista para que ele acompanhe o progresso, e todo o restante do tratamento seja realizado com a sua ajuda.
 
Qual a melhor maneira de estimular meu filho?
Uma pesquisa da Universidade de Notre Dame (EUA) mostrou que, durante o primeiro ano de vida, os bebês já identificam padrões de sons nas palavras para começar a entender o significado delas. Isso significa que eles treinam a fala muito antes de balbuciar as primeiras sílabas. Por isso, converse sempre com o seu filho (nomeie as partes do corpo na hora do banho, por exemplo) e crie oportunidades para ele falar. Se a criança apontar para algo, diga o nome do objeto antes de atender ao pedido dela. Quando disser algo errado, responda com a maneira correta, sem corrigi-la para não gerar mais insegurança. E nada de falar em “nenenês”. O tatibitate pode atrasar o aprendizado.
 
Você quer saber...
 Chupeta e mamadeira podem interferir no desenvolvimento da fala?

Sim, principalmente se forem usadas depois dos 2 anos, quando os dentes de leite já apareceram. São eles que vão posicionar a língua de uma maneira adequada dentro da boca, e esses produtos alteram toda a estrutura dela. Além do risco de entortar os dentes, a chupeta e a mamadeira podem alterar as musculaturas da língua, dos lábios e das bochechas, que ficam flácidas, e o padrão respiratório, o que, consequentemente, atrapalha a fala.
 
Freio de língua preso é caso de cirurgia?
Nem sempre. Um bom termômetro é a amamentação. Se o frênulo (ou seja, o freio) for curto demais e atrapalhar a sucção do leite, é provável que ele dificulte a elevação da língua e prejudique a articulação de alguns fonemas mais tarde. A cirurgia é simples e pode ser feita desde os primeiros meses de vida da criança. O médico faz uma incisão, com anestesia local. Bebês fazem o procedimento no próprio consultório do pediatra e, em alguns casos, nem precisam levar pontos. A recuperação é rápida.

Fonte: Revista Crescer

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Como estimular a fala da criança



   Quando meu filho vai começar a falar? Qualquer pai e mãe se faz essa pergunta e espera ansiosamente pela primeira palavra do bebê. Em média, as crianças começam a balbuciar com 1 ano. Os primeiros sons estão mais para sílabas do que palavras, como “mã” e “pa”. Mas não importa como aconteça, esse momento trará uma emoção enorme.

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   Para que a criança continue desenvolvendo suas habilidades com a fala, é preciso estimulá-la. O jeito mais natural de fazer isso é conversar com os bebês. No entanto, uma pesquisa realizada na Universidade de Chicago (EUA) provou que ações não-verbais podem ser tão importantes quanto o bate-papo para melhorar esse aprendizado.Por exemplo, o ato de apontar para um livro enquanto se diz “a mamãe vai pegar um livro” facilita a memorização dessa palavra.

    O estudo avaliou 50 bebês entre 14 e 18 meses e gravou vídeos enquanto eles interagiam com os pais. Uma das descobertas foi que o uso da fala associada a um contexto específico (falar “livro” quando se está perto de uma estante) variou muito de um pai para o outro. Os filhos daqueles que falavam mais palavras relacionadas ao contexto ou aos objetos em questão apresentaram um vocabulário mais amplo três anos mais tarde. Segundo os pesquisadores, com pequenos ajustes nas conversas os pais podem dar um estímulo mais eficiente à fala das crianças.
 
   De acordo com a fonoaudióloga Ana Maria Hernandez, coordenadora da equipe de fonoaudiologia do Hospital Santa Catarina (SP), falar dentro de um contexto e fazer gestos (como apontar para o objeto) podem favorecer o aprendizado, pois é uma maneira de o adulto apresentar o mundo para a criança. No entanto, a fala também depende de vários outros fatores para se desenvolver. “Ela é uma expressão da linguagem e, como tal, resulta da integração entre diversos sistemas. A criança precisa estar com o sistema neurológico preservado, a parte motora e psicológica também”. Ou seja, até o carinho que você dá para o seu filho pode fazer diferença no desenvolvimento da fala.
 
A seguir, listamos algumas dicas que você pode adaptar sem muito trabalho ao seu cotidiano:
Narre o mundo
O conceito pode parecer estranho, mas na prática é muito simples. Converse com o seu bebê sobre aquilo que o rodeia. Na hora de trocar a fralda, por exemplo, vá nomeando suas ações: “vou limpar seu bumbum, vamos colocar uma fralda limpinha, você vai ficar cheiroso”. Durante um passeio no parque, apresente as árvores, a grama, os passarinhos. Apontar, como explicado na pesquisa, também é um ótimo recurso porque dá forma às palavras. A criança associa o som ao objeto e fica muito mais fácil decorar o nome dele.

Atenção ao tom de voz
Quando falamos, colocamos sempre uma entonação em nossa voz, que pode significar dor, alegria, tristeza... Não tenha medo de se expressar na frente do seu filho, porque isso vai o ajudar a decodificar as emoções.

Dê atenção e espaço para o bebê
Passar um tempo se dedicando integralmente à criança é importante para criar um ambiente emocional saudável e também para perceber o que ela tem a dizer, mesmo que não o faça com palavras. Dê espaço para a criança demonstrar seus sentimentos e suas vontades. Ou seja, você não precisa ficar falando sem parar na frente do seu filho achando que assim ele vai começar a falar mais cedo. Dar espaço para o silêncio também é importante – ele também é uma forma de comunicação.

Cante. Sem medo de desafinar
Além de conversar, cantar pra criança é essencial. A sonorização, a rima e o ato de cantar transformam a fala em brincadeira, e isso comprovadamente ajuda o desenvolvimento da linguagem, do vocabulário e facilita o período de alfabetização. Outro ponto forte das músicas são os refrões porque a repetição prende a atenção das crianças. Permita que seu filho conviva com diferentes sons e melodias. “Muita gente entra naquela discussão de direitos humanos, que ‘atirei o pau no gato’ passa uma mensagem de violência, mas nos primeiros anos para a criança o que importa é a sonoridade”, diz a pedagoga Eliana Santos, diretora pedagógica do Colégio Global (SP).

Leia histórias e poesias
As histórias, além do estímulo que representam à imaginação, aumentam o vocabulário e a curiosidade sobre a linguagem. Os poemas, assim como as músicas, têm ritmo e sonoridade bem acentuados. Comece com os textos de rimas diretas e, aos poucos, vá sofisticando. Vale lembrar que a leitura não pode ser mecânica. Coloque emoção e pontue cada frase.

Explore sinônimos
Quando seu filho perguntar “qual é o nome disso?”, não se contente em dar uma só resposta. Claro que nem todos os sinônimos ela vai memorizar imediatamente, mas no dia a dia procure variar o jeito como você define as coisas. Eliana dá um exemplo divertido que usava em sua própria casa: “Eu falava para lavar as nádegas em vez de bumbum. Aos poucos, a criança vai enriquecendo seu vocabulário.”

Permita a convivência
Conviver com outras crianças é importante. “Quando uma criança convive com a outra, ela observa muito e repete. Essa troca enriquece sua experiência”, afirma Eliana.

Criança aprende brincando
É isso mesmo. Nada de transformar o aprendizado da criança em algo mecânico. Se a criança está se divertindo e fazendo determinada atividade com prazer, ela aprende muito mais rápido. A dica aqui é: entre pela porta que ela abre para você. Ou seja, se ela se mostrou interessada por um livro específico, em vez de forçar a leitura de outro, ajude-a a explorá-lo. Se ela está tímida, não a obrigue a ficar no colo de todos os parentes da festa. E nada de desespero: se você prestar um pouquinho de atenção, vai identificar a vontade do seu filho em determinado momento.
 
Fonte : Revista Crescer